4 01 2007

“Agricultura Biológica - Uma aposta para Portugal”- 1º- Congresso em Alenquer 

“O que vim aqui dizer ao sector foi que vai haver apoios financeiros. Acreditamos que há mercado em potencial crescimento e que os agricultores têm aqui uma oportunidade de diferenciação, mas vamos ser exigentes”, disse Jaime Silva. “Vamos ter um plano que vai ser analisado anualmente e que vai ser revisto anualmente. (Ó) Tem que haver uma certificação séria, não vamos criar muitas empresas de certificação porque têm que ser sustentáveis financeiramente”, especificou o ministro da Agricultura. Jaime Silva falava aos jornalistas após ter presidido ao encerramento do 1º congresso de agricultura biológica que decorreu ontem em Alenquer. Referindo que os consumidores têm que ter a garantia de que estão a consumir produtos biológicos, o ministro disse aos congressistas que “o Governo não pode aceitar que uma ajuda ambiental para cereal biológico não chegue ao consumidor porque, quando compra pão biológico, o cereal é importado”. Durante o congresso, que reuniu cerca de 300 produtores de agricultura biológica foi, sobretudo, reclamado da parte do Governo uma “mudança de atitude” quanto a este modo de produção “amigo do ambiente”. O vice-presidente da Interbio (Associação Interprofissional para a agricultura biológica), Alfredo Sendim, disse à agência Lusa que é necessário exigir “uma atitude diferente por parte do Ministério da Agricultura”.“É necessário criar mercado através da informação e divulgação junto do consumidor do conceito da agricultura biológica”, frisou. Os produtores pretendem uma redefinição das ajudas à produção e transformação, campanhas de informação dos consumidores e a inclusão destas matérias nos programas escolares e de alimentação. “O Governo tem que perceber a bondade do modelo de agricultura para o país e que isso tem que implicar os ministérios do ambiente, educação e saúde”, defendeu Alfredo Sendim. A presidente da Interbio (associação que organizou o congresso), Maria Santos, defendeu também que “é preciso é uma opção política clara por uma fileira importantíssima do ponto de vista da competitividade nacional”. “Portugal é que tem condições óptimas do ponto de vista agro-ecológica, do combate à desertificação e rejuvenescimento do mundo rural”, assinalou.

Segundo a Interbio dos 400 mil agricultores portugueses, 1300 são produtores de agricultura biológica, detentores de 190 mil hectares, na sua maioria pastagens (criação de carne) e olival (produção de azeite).

Sob o lema “agricultura biológica - Uma aposta para Portugal”, o encontro divulgou ainda as iniciativas nacionais que promovem a utilização de técnicas ecológicas na produção de produtos com a presença de agricultores de vários pontos do país.


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