Agricultura biológica em Sever do Vouga dá emprego e salva terrenos

4 01 2007

foto_b.jpg

Com 55 anos, Maria Moreira, de Rocas do Vouga, em Sever do Vouga, é a prova de que o trabalho na terra pode ser rentável. Desde que se formou, há mais de um ano, no curso profissionalizante de horticultura e fruticultura biológica, dado pela Fundação Solidários, voltou a fazer da agricultura o seu negócio.
“Se continuasse a produzir pelo modo convencional, não teria a quem vender os meus produtos”, explica. Hoje, os grandes centros urbanos, como Porto e Lisboa, são os seus principais compradores para os mais diversos produtos que cultiva, de acordo com os procedimentos que aprendeu durante a formação.

Curso profissionalizante de horticultura e fruticultura biológica, dado pela Fundação Solidários
A Casa da Fonte, em Couto de Esteves, é o ponto de partida para a mudança, onde a Fundação Solidários formou duas turmas de mulheres na área da agricultura biológica, dando o suporte necessário para que se tornem protagonistas do seu desenvolvimento e da comunidade.
Os resultados saltam à vista, com as terras de cultivo a ganharem um novo ânimo. “Comprei uma estufa e as terras, que estavam abandonadas ou com milho, passaram a ter uma grande variedade de hortícolas. A diferença é que agora cultivo durante todo o ano e posso fazer disso a minha fonte de rendimentos”, explica, satisfeita. Numa semana, Maria Moreira chegou a vender mais de 30 quilos de alface, produzida pelo modo biológico.

Agricultura biológica veio renovar a confiança no futuro
Para quem sempre gostou de trabalhar nas terras, a agricultura biológica veio renovar a confiança no futuro. “Se pudermos viver melhor e por mais tempo, e ainda fazer disso uma fonte de rendimentos… por que não?”, questiona, convencida de que se trata da melhor oportunidade em conciliar o trabalho na terra com algo rentável.
“Não existe muita oferta de emprego no concelho. Neste caso, as pessoas devem aumentar os seus conhecimentos e utilizá-lo para a vida, de forma a melhorar os seus rendimentos, tornando-se mais empreendedoras”, explica Vilma Silva, coordenadora do curso.
A conversão das explorações de agricultura familiar para o modo biológico é vista com bons olhos. “Acredito que essa seja a única solução para Sever do Vouga por que, de resto, ninguém mais se salva a trabalhar om a agricultura convencional”, afirma Maria Moreira. Fonte JN 3-5-2006